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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Série: Brincadiquê? Pelo direito ao brincar


A série "Brincadiquê? Pelo Direito ao Brincar" revela a importância do brincar para o desenvolvimento integral das infâncias e a necessidade dessa experiência lúdica para uma educação de qualidade.

A partir de entrevistas com pesquisadores (as), educadores (as) e gestores (as) educacionais, ilustradas pelos registros de práticas pedagógicas desenvolvidas em instituições de educação infantil e primeiro ano do ensino fundamental, a série traz reflexões acerca do Direito ao Brincar e de possibilidades para a oferta de uma educação de qualidade, considerando a ludicidade nos espaços internos e externos das escolas, a cultura local e o envolvimento da comunidade educativa.

Realização: Rede Marista de Solidariedade e Centro Marista de Defesa da Infância Produção: Labirinto Apoio: Rede Marista de Colégios, Secretarias Municipais de Educação de Araucária (PR), Caxias do Sul (RS) e Cuiabá (MT).

Assista aos vídeos no endereço a seguir:
https://youtu.be/ra6HKhzHPQU

Educadora fala sobre a importância em estimular jovens pobres a almejar vôos altos

Opinião: a pobreza não pode nos tirar o direito de sonhar


 "A vida é assim: feita de sonhos. E é isso que nos mantém vivos." (Racionais MC's)

Iniciei a minha carreira docente em 2008. Desde então, trabalho em bairros de alta vulnerabilidade social da região metropolitana de Belo Horizonte. Nesse período, meus olhos viram muita coisa. Vi a pobreza, a violência e o analfabetismo, resultado de um país que nas palavras do professor Gaudêncio Frigotto "se ergueu pela desigualdade e se alimenta dela". Vi também os avanços significativos provocados pelas políticas públicas de inclusão social implementadas durante os governos do ex-presidente Lula e de Dilma Rousseff. Hoje, pouco mais de um ano após a ex-presidenta ser destituída do cargo, tenho a sensação de estar vivendo um verdadeiro pesadelo. Vejo muitos retrocessos, inclusive a volta da fome nos lares dos meus alunos.

Em meio a tantos golpes, posso dizer que 2018 foi um ano positivo no que diz respeito a novos aprendizados e novas experiências. Por diversas vezes tive a oportunidade de re-ver a minha condição de educadora. É impressionante a nossa resistência em questionar as práticas, condutas e metodologias de ensino adotadas cotidianamente. Re-aprendi a importância do reconhecimento e da escuta, "exercício que garante que nenhum aluno permaneça invisível em sala de aula." Assevero que as chances de obter êxito no processo educativo são muito maiores quando as vivências e as experiências dos alunos são respeitadas e levadas em consideração.

No início do ano, Marcelo, aluno do 7º ano, me surpreendeu com a seguinte pergunta:

– Professora, pra que preciso aprender Ciências se eu vou trabalhar em obra?

A convicção de um garoto de doze anos em relação ao futuro tirou da minha boca qualquer explicação. Passei horas pensando em que momento ele se deu conta de que seu destino é ser um operário da construção civil. Ressalto que não há demérito em ser ajudante de pedreiro ou coisa parecida. É uma profissão digna que merece respeito como qualquer outra. O meu questionamento se deve ao fato de que "trabalhar em obra" é uma função de baixa remuneração e que exige pouca escolaridade. Sem saber, o Marcelo me ensinou que além de promover uma educação antirracista e feminista, eu precisava ensiná-lo a sonhar.


No dia seguinte, levei para a sala de aula a história do Fábio Constantino, que em 2016, após muita dedicação, foi aprovado em primeiro lugar no vestibular para o curso de medicina da UFRN. A escolha por tomar o jovem potiguar como exemplo não se deu de maneira aleatória ou casual. Nascido em Assu, cidade do interior do Rio Grande do Norte, assim como a maioria dos meus alunos, Fábio é negro e filho de uma empregada doméstica.

Em momento algum o objetivo da atividade foi fazer uma verdadeira ode à meritocracia. Falácias amplamente difundidas pelo senso comum e em programas de auditório como "basta querer para vencer na vida", não têm vez nas minhas aulas. Após a leitura da matéria sobre o Fábio, lembrei que infelizmente ainda há poucos Fábios Costantinos em nosso país. Mencionei que tal fato não se deve apenas a falta de "esforço próprio", como muitos equivocadamente costumam dizer.

Expliquei para o Marcelo e para o restante da turma que eles estão inseridos em um processo que o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos convencionou chamar de "fascismo social". Dentro dessa lógica, é criada toda uma cartografia urbana, juntamente com outros mecanismos de exclusão social e econômica que impedem crianças e jovens pobres até mesmo de almejar vôos mais altos, o que evidencia a perversidade dos que detém o poder no Brasil.

O fascismo social está na distância entre a periferia e as universidades públicas. Está no alto preço e na precariedade do transporte urbano que limita a circulação dos sujeitos periféricos por outros espaços. Está nos estereótipos construídos em relação aos negros, pobres e favelados, que são vistos como verdadeiros intrusos nas áreas centrais e nobres das cidades. Está nas falhas do ensino público, que serve também como uma grande fábrica de mão-de-obra barata a serviço do sistema capitalista. É a escola pública quem fornece para o mercado de trabalho pedreiros, empregadas domésticas, porteiros, faxineiras, zeladores, empacotadores e tantas outras profissões de menor prestígio social.

A partir dessa perspectiva, fica fácil compreender porque o Marcelo não vê sentido em aprender Ciências ou qualquer outra disciplina, uma vez que dentro do modelo segregacionista no qual o Brasil está ancorado, todos os caminhos que ele percorrer o levará a carregar pilhas de tijolos e massa de concreto, como certamente seus parentes e amigos fazem.

Todas essas questões renderam um debate longo e acalorado. Insisto em dizer que os alunos carregam dentro de si muitos conhecimentos, o que falta na maioria das vezes é estimulá-los. Durante a discussão, percebi que naquela sala poderia surgir inclusive um grande sociólogo – "Quem faz medicina são os ricos ou quem estuda nas escolas particulares. Eles têm muito mais oportunidades do que nós." – disse um aluno com muita propriedade.

Conforme esperado, alguns alunos foram contaminados pela ideologia do mérito pessoal. Criar a falsa ideia de que os pobres vivem em condições precárias de subsistência porque querem é mais uma arma de controle social criada pelas elites. Felizmente, a maioria compreendeu que é a falta de incentivo, de condições materiais e de políticas públicas que os impedem de criar outras expectativas em relação ao futuro.

Embora vivenciem uma realidade dura e perversa, tentei mostrar para os meus alunos que eles não têm que trabalhar apenas em obras. Insisti em dizer que eles são inteligentes e capazes, sendo assim, a exemplo do Fábio Constantino, podem galgar uma vida com mais desejos e possibilidades. Busquei apontar a importância da escola e dos saberes nela produzidos nesse processo.

Conforme costumo fazer em todas as atividades, ao final, pedi que cada um relatasse o que aprendeu com a história do Fábio e com o debate realizado em sala de aula. Enquanto eu estiver nesse mundo, jamais me esquecerei das palavras do Marcelo:

– Eu aprendi que a pobreza não pode tirar da gente o direito de sonhar.

Meu desejo é que em 2018 todos nós possamos aprender com o Marcelo. Que a pobreza, a injustiça, a estupidez, a ignorância e as aves de rapina que deterioram esse país não nos tirem o direito de sonhar com dias melhores.



Por Luana Tolentino


Luana Tolentino é professora e historiadora. Mestranda em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto.


sábado, 6 de janeiro de 2018

Pesquisa “Viver em São Paulo” avaliará gestão da Prefeitura e confiança nas instituições


Resultados do novo levantamento, que inclui temas relacionados à qualidade de vida e participação social, serão divulgados pela Rede Nossa São Paulo na véspera do aniversário da cidade. Participe!  


Inaugurando um novo ciclo de pesquisas de percepção dos paulistanos, a Rede Nossa São Paulo divulgará no dia 24 de janeiro de 2018 – véspera do aniversário da capital paulista – os resultados do levantamento "Viver em São Paulo".

Nesse primeiro evento do ano, serão apresentadas as avaliações dos paulistanos sobre a atuação da atual administração municipal e das prefeituras regionais, bem como da Câmara de Vereadores. O levantamento apontará também as instituições (Prefeitura, Câmara Municipal, Ministério Público, Poder Judiciário, Tribunal de Contas do Município, Polícia Militar e outras) que as pessoas mais confiam e as que menos confiam.

Realizada pelo Ibope Inteligência, a pesquisa "Viver em São Paulo" abordará ainda temas relacionados à qualidade de vida, participação social e atendimento dos serviços públicos nas áreas da saúde e educação. Questões sobre percepção de segurança e discriminação de gênero estão incluídas no estudo.

Desde 2008, sempre em data próxima ao aniversário da cidade, a Rede Nossa São Paulo tem divulgado resultados de pesquisas de percepção dos paulistanos. Uma das perguntas já tradicionais nos levantamentos, e que será respondida novamente, é a seguinte: "Gostaria de saber se, caso pudesse, o(a) sr(a) sairia de São Paulo para viver em outra cidade, ou não sairia de São Paulo?".

Ao divulgar os resultados do levantamento "Viver em São Paulo", a organização inaugura um novo ciclo de trabalho que prevê a divulgação mensal de pesquisas temáticas.

Agende-se e participe!

Assim como ocorre anualmente, a divulgação dos dados da pesquisa será realizada em evento público aberto à participação de todas as pessoas e organizações interessadas.

Confirme sua presença.

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeyNVxLnbx71qxMqrJwPCLaEdXi2ts4TnSScwzaAbpY3CNYTg/viewform

Serviço:
Lançamento da pesquisa "Viver em São Paulo"
Data: 24 de janeiro de 2018
Horário: das 9h30 às 12h30
Local: Sesc 24 de Maio
Endereço: Rua 24 de Maio, 109 – centro de São Paulo, próximo à Estação República do Metrô


Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo


Audiência pública sobre o Projeto de Intervenção Urbana – PIU Anhembi


Data

10/01/2018

Horário

18:00 até 20:00


A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento – SMUL e a São Paulo Urbanismo, realizam no dia 10 de janeiro uma audiência pública para apresentar e receber contribuições sobre a Minuta de Projeto de Lei que vai definir índices e parâmetros de uso e ocupação do solo a serem observados para o Projeto de Intervenção Urbana – PIU Anhembi.

O encontro é mais uma oportunidade para o cidadão conhecer e contribuir com o PL.

Desde 14 de dezembro há uma consulta pública aberta no portal Gestão Urbana sobre o Projeto, que possibilita ao munícipe fazer sugestões nos artigos, bem como nos parágrafos e incisos.


A audiência será realizada no dia 10 de janeiro, às 18h, no auditório do 15º andar do Edifício Martinelli – sala 154.

O endereço é Rua São Bento, 405, Centro.


Entenda o Projeto de Lei

Aprovado pela Câmara Municipal em 5 de dezembro, o Projeto de Lei nº 582/2017, que trata da desestatização do Complexo do Anhembi, estabelece que um PL específico deverá dispor sobre os parâmetros de uso e ocupação do solo da respectiva Zona de Ocupação Especial – ZOE.

O texto prevê a manutenção do potencial construtivo definido pela Lei de Zoneamento para a ZOE do Anhembi em 1 milhão de metros quadrados. Detalha, ainda, o perímetro da área, definindo dois setores: Setor Centro de Convenções e Exposições e o Setor Sambódromo. Este último, não considerado nos estudos que definiram o potencial construtivo para a ZOE na Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, tem seu potencial construtivo fixado em 400 mil metros quadrados, o que constitui novidade em relação à regulação vigente.

Além disso, a proposta traz outros parâmetros urbanísticos, como taxa de ocupação, de permeabilidade e destinação de áreas públicas. A definição desses índices e parâmetros permitirá o detalhamento dos mesmos por meio de um Projeto de Intervenção Urbana – PIU, que também contará com participação da sociedade civil.

Acesse o link e registre seu comentário!

http://minuta.gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/piu-anhembi/


Serviço

Audiência Pública do Projeto de Lei para o PIU Anhembi
Data: 10 de janeiro
Horário: 18h
Local: Auditório do 15º andar do Edifício Martinelli – sala 154
Endereço: Rua São Bento, 405, Centro

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Compareçam!!!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Secretário-geral da ONU em sua mensagem para 2018: um alerta para o mundo.

"Queridos amigos em todo o mundo, Feliz Ano Novo!

Há um ano, quando iniciei o meu mandato, lancei um apelo à paz para 2017. Infelizmente o mundo seguiu, em grande medida, o caminho inverso. No primeiro dia do ano de 2018 não vou lançar um novo apelo. Vou emitir um alerta ao mundo.

Os conflitos aprofundaram-se e novos perigos emergiram. A ansiedade global relacionada com as armas nucleares atingiu o seu pico desde a guerra fria. As mudanças climáticas avançam mais rapidamente do que os nossos esforços para as enfrentar.

As desigualdades acentuam-se. Assistimos a violações horríveis de direitos humanos. Os nacionalismos e a xenofobia estão aumentando. Ao começarmos 2018, apelo à união. Acredito verdadeiramente que podemos tornar o mundo mais seguro.

Podemos solucionar os conflitos, superar os ódios e defender os valores que temos em comum. Mas só poderemos fazê-lo em conjunto.

Apelo aos líderes em todo o mundo para o seguinte compromisso de Ano Novo: Estreitem laços. Lancem pontes. Reconstruam a confiança reunindo as pessoas em torno de objetivos comuns.

A união é o caminho. O nosso futuro depende dela. Desejo a todos paz e saúde em 2018.

Thank you. Shokran. Xie Xie. Merci. Spasiba. Gracias. Obrigado."